
Olá pessoal !
Depois de conhecerem um pouco mais das centrais de atendimento, dos operadores e suas ferramentas de trabalho e também um pouco da linguagem utilizada no ambiente de trabalho, chegou a hora de falarmos sobre a nossa língua mater. A nossa grande "Língua Portuguesa".
Isso, na verdade, serve de dica aos profissionais da área (telemarketing) mas também a todos que possam interessar.
É claro que não sou um Profº Pasquale Cipro Neto, longe disso! Mas aquilo que eu puder comentar para auxiliá-los, com certeza farei.
Afinal, para crescermos, precisamos conhecer a nossa língua.
Pois bem, certa vez recebi uma ligação onde a operadora dizia: "O senhor pode estar respondendo algumas perguntas?"
E também coisas do tipo "Nós vamos estar passando o problema para a equipe técnica. A senhora vai estar pagando uma taxa de reparo."
Nããããããããããããããããããão, pelo amor de Deus não!!!
Nós não temos como estar indo, estar fazendo, estar resolvendo, estar verificando, estar "nada" !!!
Amigos operadores, isso chama-se gerundismo.
O gerundismo é uma locução verbal na qual o verbo principal apresenta-se no gerúndio.
Seu uso no português brasileiro é recente, é considerado por muitos como vício de linguagem, uma vez que seu uso é demasiadamente impreciso.
Vejam a diferença: "O senhor poderia, por gentileza, nos responder algumas perguntas?"
Vício de linguagem... Isso é um veneno para quem trabalha com telemarketing.
Aliás, posso me incluir nessa, pois uma vez fui monitorado e fui obrigado a ler o que eu tinha falado ao cliente: "Vô tá te passando".
Pelo amor de Deus! Depois disso, me policiei e nunca mais usei esse tal gerundismo.
Outro conselho que gostaria de passar a vocês, colegas da área, é pra que evitem utilizar por várias vezes uma mesma palavra.
As mais usadas:
- Ok : que fica horrível quando a pessoa quer inventar e acaba dizendo "oká" ou "talquei", ou pior ainda, "talká".
- Né : principalmente se você for paulistano
- Olha só : especialmente os amigos cariocas / fluminenses.
Evite repetir sempre as mesmas palavras (expressões). Procure intercalar, dizendo "ok", "certo", "correto".
Além disso, algo horrível nos atendimentos é a pronúncia incorreta de nossa língua.
Separei duas, sendo que uma delas eu ouvi recentemente e a outra é muito, mas muito utilizada:
- Derrepentemente: O que seria isso? Uma ênfase ao ato de "derrepentear"?
- Gratuíto: Prestem atenção que a palavra GRATUITO não tem acento e a vogal tônica é o "U", ou seja, o correto é GRATUITO. Como se o acento agudo estivesse no "U".
E pra terminar, certa vez um ex-colega de trabalho registrou dessa maneira uma ocorrência no sistema:
"clt ligou com dúvidas sobre pogramas de instalação para seu pc e tb refaser sua conecção."
Traduzindo, ele quis dizer que o "Cliente ligou com dúvidas sobre programas de instalação para seu computador e também para refazer a sua conexão.
Depois que eu li isso, senti que Machado de Assis deu umas três reviradas no túmulo.
Operadores: NÃO TRANSFORMEM JAMAIS O REGISTRO DO SISTEMA EM LINGUAJAR DE SALA DE BATE-PAPO !!
Procurem não abreviar palavras, pois com certeza isso facilitará a vida do colega que atender o mesmo cliente.
Aos operadores: Não entendam isso como uma crítica ou "tiração" de sarro. De jeito nenhum!
A intenção desse blog é auxiliá-los no que for preciso, porém, não esquecendo jamais que a nossa obrigação é conhecer a nossa língua.
E para conhecermos melhor a nossa língua, nada como criarmos o hábito de ler.
Aos gestores: Digo o mesmo. Afinal, vocês são os exemplos para sua equipe e devem servir de espelho. Em todos os sentidos!
Ler e estudar sempre! Isso leva ao "desenvolver e crescer"!
Bom, esses foram apenas alguns toques e espero, sinceramente, que tenha ajudado em algo.
Na sexta-feira que vem, 16/04, eu volto com o "Capítulo 4.1 - Evitando problemas com monitorias".
Até lá!

